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Artigos A Função Financeira: Uma Análise de Sua Evolução

Rogério Cardoso

A Função Financeira: Uma Análise de Sua Evolução

Mostraremos a análise da função financeira no início do século passado, abordando as proposições para evolução da função financeira, a função financeira no início do século, e as funções financeiras década a década.


No início do século, um dos fatos econômicos e industriais que marcaram a evolução da função financeira foi o movimento de consolidações cuja influência sobre o conteúdo das Finanças alterou a estrutura de capital das empresas.


Na década de 20, os fatos econômicos e industriais que marcaram a evolução da função financeira foram:

  • a expansão de novas indústrias,
  • as fusões para completar as linhas de comercialização e
  • as grandes margens de lucros com as quais as empresas operavam, resultando em uma nova estrutura financeira, em uma necessidade de algum planejamento e controle
  • e na necessidade de levar em consideração a liquidez das empresas.


Na década de 20, os fatos econômicos e industriais que marcaram a evolução da função financeira foram:

  • a profunda recessão econômica,
  • a grande onda de reorganizações empresariais e de falências,
  • além da legislação do “New Deal”, refletindo sobre o conteúdo de Finanças por causa de falhas da defeituosa estrutura financeira,
  • problemas de solvência e liquidez,
  • necessidade das empresas em realizar recuperação financeira,
  • além de necessidade de implantação de controles sociais.


A década de 40 foi marcada por eventos tais como:

  • os anos da década de 1940 foram naturalmente dominados pela Segunda Guerra Mundial;
  • a preocupação central durante o período foi o levantamento de fundos para financiar o esforço de guerra;
  • as empresas dedicaram atenção especial para a administração a curto prazo do capital circulante;
  • imediatamente após a guerra, o grande desafio para a área financeira foi a obtenção de financiamentos para incrementar o capital necessário, de forma a atender a demanda por bens de consumo da população.
  • após a II Guerra Mundial, na visão de Archer e D’Ambrosio (1969), popularizou-se a “abordagem administrativa” no estudo das finanças, segundo a qual “....as operações e rotinas diárias constituem-se no centro de atenção, enquanto que os acontecimentos periódicos ou episódicos são relegados a uma posição de menor importância”.

Na década de 50, os fatos econômicos e industriais que marcaram a evolução da função financeira foram:

  • a rápida expansão industrial,
  • o restabelecimento da política monetária,
  • e o temor de uma recessão pós-guerra, cuja influência sobre o conteúdo das finanças foi a ênfase nos problemas de fluxo de caixa x rentabilidade,
  • a redução da ênfase na análise de balanços,
  • uso de processos administrativos financeiros internos:
  • classificação por idade de valores a receber,
  • previsões de orçamentos de caixa.


No fim da década de 50 e início da década de 60, os fatos econômicos e industriais que marcaram a evolução da função financeira foram:

  • as melhores oportunidades de lucros,
  • o aumento do ritmo do progresso tecnológico, e
  • o surgimento de novas indústrias,
  • prêmio do mercado de títulos ao crescimento,
  • computação de dados em larga escala,
  • importância crescente do comércio internacional e dos problemas do balanço de pagamentos, cuja influência sobre o conteúdo das finanças foi a análise das oportunidades com o uso de orçamento de capital,
  • a análise do custo de capital para determinar os obstáculos aos investimentos,
  • o planejamento e controle para aumento do lucro sem considerar o aumento das vendas, uso do processamento de dados e técnicas de simulação em massa,
  • ênfase nas principais instituições financeiras e flutuações do nível de preços,
  • internacionalização das Finanças e da atividade empresarial.


Na década de 70, os fatos econômicos e industriais que marcaram a evolução da função financeira foram:

  • o rompimento do acordo de Bretton Woods,
  • a crise da Bolsa de Valores nos EUA (1974) e inflação de 2 dígitos,
  • o choque do petróleo,
  • o excesso de liquidez no sistema bancário, cuja influência sobre o conteúdo das finanças foi aumentar o interesse nas teorias de diversificação de portfólio (Markowitz, Tobin e Sharpe),
  • a utilização do CAPM e dos conceitos de risco sistemático e não sistemático, a teoria da eficiência do mercado, os testes empíricos dos modelos propostos, e
  • o desenvolvimento por Black e Scholes da fórmula para cálculo de valor de opção.

Na década de 80, os fatos econômicos e industriais que marcaram a evolução da função financeira foram:

  • a Moratória dos países em desenvolvimento, gerando crise bancária; desregulamentação e desintermediação financeira;
  • aumento da qualidade de “merges” e “takeovers”;
  • crise do setor de “Savings and Loans”;
  • securitização; queda da Bolsa de Nova York em outubro de 1987, cuja influência sobre o conteúdo das finanças foi a preocupação com a valorização dos novos ativos financeiros criados;
  • o grande aumento de interesse na fórmula de valorização de opções de Black e Sholes;
  • desenvolvimento de modelos automáticos para compra e venda de títulos; e o
  • desenvolvimento de estratégias complexas de investimento envolvendo derivativos.


A década de 90 foi marcada pelos seguintes eventos:

  • globalização da economia;
  • aumento substancial da gama de riscos;
  • custo de produzir globalmente é fortemente influenciado, pelas:
  • variações cambiais relativas;
  • variação dos preços das matérias-primas;
  • oscilação da taxa de juros;
  • processo de gerir negócios torna-se mais complexo.
  • estratégias de “hedging”;
  • reformulação profunda da forma de operação das empresas, preocupação na diminuição de custos, na redução de níveis hierárquicos e de outros “overheads”.
  • Curva ABC;
  • EVA.

Está surgindo uma nova teoria financeira, que parte dos dados empíricos para a construção de uma nova teoria, em oposição ao enfoque atual, que parte de uma teoria e a seguir desenvolve testes empíricos para verificar sua veracidade.


Entretanto, os pesquisadores atuais sustentam suas teses com base em grande número de trabalhos empíricos que parecem confirmar, em grande parte, os modelos propostos.
É importante ressaltar que a função financeira tem como objetivo estruturar a empresa no sentido de inovar a teoria financeira a qual é uma estrutura de deve, para justificar sua existência, ser focada no objetivo da empresa (satisfazer necessidades e expectativas dos proprietários e acionistas a fim de perpetuar sua existência).


É no exercício dessa função que se apoiam mutuamente, que se determinará o sucesso ou fracasso da organização. Em oposição ao enfoque atual que tem como partida uma teoria e a seguir teses empíricas para a verificação da sua idoneidade.


Situações comuns como o isolamento da função financeira, o não entendimento da responsabilidade dela, a duplicidade de ações, ou a existência de uma condição privilegiada não justificada para os membros da organização, a não execução aprofundada da função financeira dentro da empresa pode dificultar a gestão da organização e devem ser evitadas.


A principal mensagem é: “A função financeira está intimamente ligada aos problemas mais urgentes da empresa!”